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Contratando na Sociedade Digital: Todos sabemos que estamos passando por uma transformação digital. Em quatro décadas experimentamos mudanças que a humanidade sequer imaginava. Vivenciamos diariamente um processo rápido e que exige de nós atenção e presença para não sejamos engolidos pelas constantes novidades.

Os anos 80 foram marcados por uma mudança sensível na introdução da tecnologia na vida da pessoas dentro e fora de casa. Personal computer, walkman, gravador, telejogo, câmera polaroid, videocassete, câmera de vídeo, relógio com calculadora e muitos outros dispositivos apareceram nessa época. Esta década transformou definitivamente a forma como vivemos.

Instantaneamente, novas profissões surgiram e novos profissionais apareceram no mercado. Exemplos são os programadores em novas linguagens da época, técnicos em eletros e eletrônicos, designers para games e professores de novos cursos como telemática.

Ao mesmo tempo aconteceu o encontro de três gerações: a X (1965 a 1978) – especialistas e hierarquia definida, Xennials (1977 a 1983) – encontro do analógico com o digital – e Y (1979 a 1993) – busca por experiência de forma horizontal. Logo, temos uma mudança de cenário e comportamento brusca para quem é da geração X e Xennials, afinal de contas, eles estão a todo vapor profissionalmente e sendo obrigados a passar por uma transformação cultural.

Transformação Organizacional

Essa mudança é especialmente sentida na área técnica. A pirâmide organizacional missão, visão, valores, capacidades técnicas, comportamento e ambiente ganha uma força incrível. Passa a se destacar quem tem conhecimento sobre os assuntos da vez e os comprova através de certificados e certificações.

Vamos dar um salto na linha do tempo para falar de uma nova transformação que acontece no encontro de quatro gerações nos anos 2000: Geração X, Xennials, Y e Z (1994 e 2009) – ultraconexão tecnológica e busca por propósito. Esta união é marcada principalmente pelo comportamento e competências como sendo mais importantes que as capacidades técnicas.

Agora a pirâmide organizacional tem uma nova estrutura: propósitovalorescompetênciascapacidades técnicas e ambiente. A velha máxima de que se contrata por capacidades técnicas e se demite por competências passa a deixar de existir.

O encontro dessas quatro gerações cria a sociedade digital e traz consigo impactos significativos nas corporações, inclusive na forma de contratação e relacionamento com as pessoas.

Pirâmides Organizacionais: Antiga e Atual

Pirâmide Organizacional Antiga - Propósito MAIOR Pirâmide Organizacional Atual - Propósito MAIOR

#Pessoas é a palavra da vez, deixando para trás termos como recursos e capital humano. Veja, o ser humano é capaz de desenvolver recursos e ser meio para capital, mas nunca deve ser rotulado como tal. Esse é um movimento que ganha força e notoriedade com a nova geração que se movimenta em rede por busca de experiências e propósito. Em resumo, estamos falando de comportamentos observáveis e competências.

As empresas do russo Elon Musk, Adobe, Apple, Google, Amazon, IBM e as brasileiras Nubank, Movile e Loggi já adotaram a segunda pirâmide organizacional e selecionam pessoas através dela. O que isso quer dizer? Para fazer parte do time destas empresas os candidatos precisam se identificar com o propósito e valores, demonstrar desenvoltura nas competências e depois provar suas capacidades técnicas. É bom deixar claro que as capacidades continuam sendo imprescindíveis para qualquer cargo e faz diferença na vida de qualquer profissional, porém, não é mais um ponto de inflexão como antigamente.

O desafio das organizações agora é se adaptar à essa nova realidade; encontrar ou desenvolver e manter pessoas que saibam equilibrar as duas pontas, que é o grande desafio do profissional. Pessoas que sabem harmonizar capacidades técnicas e competências são chamadas de talento digital.

São três pilares que compõem tal transformação: comportamento em visão, trabalho e relacionamento; Educação e criatividade; H2H, ou Human to Human.

Contratando na sociedade digital: criatividade, propósito e cultura - Propósito MAIOR

Para os talentos digitais, o principal pilar a ser trabalhado é a criatividade. Infelizmente o nosso sistema educacional foi criado para seguir regras e manter a ordem através do comando e controle, sistema muito usado na primeira pirâmide organizacional. Educação vem do latim educare que significa “guiar para fora”, ou seja, conhecer o mundo e a si mesmo de forma exterior e através de experiências.

Educar é Criar!

Para as empresas, fica a lição de criar e vivenciar um propósito que seja alinhado verdadeiramente a seus valores e a criação de um quadro de competências e a definição clara das capacidades. Essa é a maneira de atrair os talentos digitais e criar uma cultura que entrega resultados orgânicos, ecológicos, justos e experiências, dentro e fora da organização. Isso é ir além do B2C (empresa vendendo para o consumidor final) ou B2B (empresa vendendo para empresa), é o Human to Human (humano para humano).

Algumas empresas nos Estados Unidos já adotaram o termo founded and re-founded, exemplo é  Ogilvy que após 70 anos se refundou para ter um olhar mais holocrático e criativo.

Simplicidade e a própria marca serão parte integrante da nova Ogilvy, pois é importante que as marcas entendam a agência com a qual trabalham. A palavra-chave é “criatividade”.

Essas são palavras do CEO John Seifert, que admite que esta mudança é um novo capítulo e não o último da agência.

Uma das novas ferramentas da Ogilvy para realizar essas grandes mudanças é a plataforma digital Connect, que ajudará equipes e pessoas da empresa em todo o mundo a se conectar, comunicar e colaborar de forma mais integrada.

Essa mudança está acontecendo no coração e cérebro da empresa, ou seja, na cultura.

Fica aqui o meu convite à reflexão para todos os leitores: como profissional, você está pronto para ser um talento digital? Como empresário ou empreendedor, sua organização já adotou a segunda pirâmide organizacional e incentiva as experiências humanas?

Se a resposta foi não para pelo menos uma das perguntas, é hora de refundar e passar por uma transformação cultural e fazer parte, de uma forma autônoma, da sociedade digital.